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domingo, 21 de novembro de 2010

A Morte. Partida ou Chegada?


Quando observamos, da praia, um veleiro a afastar-se da costa, navegando mar adentro, impelido pela brisa matinal, estamos diante de um espectáculo de beleza rara.
O barco, impulsionado pela força dos ventos, vai ganhando o mar azul e nos parece cada vez menor.
Não demora muito e só podemos contemplar um pequeno ponto branco na linha remota e indecisa, onde o mar e o céu se encontram.
Quem observa o veleiro desaparecer na linha do horizonte, certamente exclamará: - "já se foi". Terá sumido? Evaporado? Não, certamente. Apenas o perdemos de vista. O barco continua do mesmo tamanho e com a mesma capacidade que tinha quando estava próximo de nós. Continua tão capaz quanto antes de levar ao porto de destino as cargas recebidas. O veleiro não evaporou, apenas não o podemos ver.
Mas ele continua o mesmo. E talvez, no exacto instante em que alguém diz: - "já se foi", haverá outras vozes, mais além, a afirmar: - "lá vem o veleiro" !
Assim é a morte.
Tal como o veleiro, o ser que amamos, quando parte, continua o mesmo, as suas conquistas persistem dentro do mistério divino.
Nada se perde, a não ser o corpo físico de que já não necessita. E é assim que, no mesmo instante em que dizemos: - "já se foi", no além, outro alguém dirá : - "já está a chegar". Chegou ao destino levando consigo as aquisições feitas durante a vida.
Na vida, cada um leva sua carga de vícios e virtudes, de afectos e desafectos, até que se resolva por desfazer-se do que julgar desnecessário.
A vida é feita de partidas e chegadas.
De idas e vindas. Assim, o que para uns parece ser a partida, para outros é a chegada.
Um dia, todos nós partimos como seres imortais que somos todos nós ao encontro daquele que nos criou.

As coisas vão e voltam como as ondas do mar. Enquanto muitos partem, muitos chegam. A diferença está apenas no choro e na tristeza pela partida dos que vão e no sorriso e na alegria pelos que chegam. Sintamos o sabor da Verdade fluir nas nossas veias sabendo que estamos aqui apenas de passagem!...

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

VIDA





Quem sou eu para ficar triste?
Vejam a minha família e a minha fortuna,
Vejam os meus amigos e a minha casa.
Quem sou eu para me sentir sem vida?
Quem sou eu para me sentir esgotada?
Vejam a minha saúde e o meu dinheiro.
Para onde vou para me sentir bem?
Porque ainda procuro fora de mim?
Vejo claramente que isso não vai funcionar.
Enquanto no resto do mundo…
É virtude minha continuar quando não sou capaz?
É trabalho meu ser extraordinariamente altruísta?
A minha generosidade foi desabilitada por isso.
A ideia de que a minha tarefa é oferecer.
Porque me sinto tão ingrata?
Eu que estou muito além de apenas sobreviver.
Eu que vejo a vida como uma ostra.
É justo ser tão diferente?
Como ouso descansar na minha glória?
Como ouso ignorar uma mão estendida?
Como ouso ignorar um país do terceiro mundo?
Quem sou eu para ficar triste?
(Allanis Morissette – Vida)
Ainda acham a vossa vida assim tão má?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Não deixem que a vida passe em branco


"Um dia a maioria de nós irá separar-se. Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, das descobertas que fizemos, dos sonhos que tivemos, dos tantos risos e momentos que partilhamos. Saudades até dos momentos de lágrimas, da angústia, das vésperas dos finais de semana, dos finais de ano, enfim... do companheirismo vivido. Sempre pensei que as amizades continuassem para sempre. Hoje não tenho mais tanta certeza disso. Em breve cada um vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento, segue a sua vida. Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...nas cartas que trocaremos. Podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices... Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto se tornar cada vez mais raro. Vamo-nos perder no tempo... Um dia os nossos filhos verão as nossas fotografias e perguntarão: "Quem são aquelas pessoas?" Diremos...que eram nossos amigos e... isso vai doer tanto! -"Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!" A saudade vai apertar bem dentro do peito. Vai dar vontade de ligar, ouvir aquelas vozes novamente... Quando o nosso grupo estiver incompleto... reunir-nos-emos para um último adeus de um amigo. E, entre lágrima abraçar-nos-emos. Então faremos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante. Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado. E perder-nos-emos no tempo... Por isso, fica aqui um pedido deste humilde amigo: não deixes que a vida passe em branco, e que pequenas adversidades sejam a causa de grandes tempestades... Eu poderia suportar, embora não sem dor, que tivessem morrido todos os meus amores, mas enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!"

Fernando Pessoa.